sábado, 31 de agosto de 2013

Impressionada com... o caos.



Olho do cimo do morro para a paisagem que se estende ao meu redor. Não vislumbro qualquer saída simpática ou agradável. Não há muitas saídas, e das que há, nenhuma se apresenta como simples, viável, agradável, transitável. Qualquer das saídas, para ser lógica ou decente, pede-me que tenha fé. Mas agora vejo, perdi a fé. Não que tenha motivos para isso. Simplesmente vi que a felicidade é coisa muito simples, nem carece de muita fé. Quando se chega lá, à felicidade, fica-se confortável. É bom estar lá, vive-se o presente, mas esquece-se de sonhar. Infelicidade, eu te abençoo, pois nenhuma como tu nos atiça a capacidade de sonhar; foste tu quem me ensinou a sonhar! Quando era feliz não tinha sonhos... talvez não fosse feliz. Ser feliz não é descansar. Ser feliz é sonhar, batalhar, é caminho, não é chegada. Mas cheguei, que bom que cheguei, merecia chegar, descansar, foi tão bom chegar. 

Agora não queria partir. Procuro pelas forças, sem as conseguir encontrar, não as vejo, não as acho, por mais que procure. Algo diz que quando delas necessitar, irão aparecer. Tenho dificuldade em acreditar, não estou segura, desconfio, não estou habituada a confiar.

Se fui traída quando confiei, não quero mais fazer os meus planos tendo que confiar. Deixar-me construir o meu amanhã só sobre aquilo que conheço e não no que não conheço. 

Mas não fui traída quando confiei, apenas pensei que seria de uma maneira e foi de outra, mas a outra maneira que foi, foi tão boa. Tão boa! Tantos dos meus sonhos se concretizaram, talvez todos! A minha fé transformou-se e manifestou-se no real de forma tão forte que me pareceu normal aquilo que julgava que apenas a sorte me pudesse trazer. Guardei o sonho e a fé na gaveta, usei-os tanto que quase os gastei; agora já não parecem fazer falta, agora já me regularizei, a mim e à minha vida.

Mas a vida não é assim, a minha vida não é assim; é professora exigente, mestra implacável que não esquece por momento algum a possibilidade de puxar mais por mim, dilacerar-me até quase me matar, deixar-me chegar ao limite do limite. Na minha lição vem a fé e o sonho e ela sabe que eu me esqueci. Eis que a minha professora vida decide fazer revisões; de repente, quando dou por ela, rebobinou vários anos e traz-me à memória tanto do que esqueci - mas é apenas uma parte - afirma a professora vida - que o resto está ainda por vir.

Coisas encaixarão, verdades se revelarão. Queria senti-las antes de as ver, mas isso será algo que terei de merecer; que uma mente iluminada não se constrói de hoje para amanhã. Lá chegarei. Por agora, queria apenas ter as forças que necessito para lutar, pois é luta, mais uma vez, que se avizinha... como eu queria paz! Mas a paz só vem no jazigo. Viver é não ter paz ou, pelo menos, é certamente não ter descanso...

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