domingo, 11 de novembro de 2012

Ingenuidade ou o abalroamento de susceptibilidades...



... ou a escolha de confiar sem saber se se pode ou se deve. Ou a escolha de acreditar no melhor que os outros e o mundo têm para dar... porque quem não acreditar, não verá jamais.

O pecado dos pecados; o mais terrível dos pecados que insisto em cometer, porque sim, porque escolhi. O pecado da ingenuidade é o maior dos pecados porque é perigoso, muito perigoso. De ingenuidade, podemos prejudicar o próximo, porque o ingénuo é míope, não vê, não quer ver, deita por terra a carga que alguns entendem dever carregar... mas o ingénuo não carrega essa carga, umas vezes porque nem sabe bem por onde ela anda, outras vezes porque até sabe onde ela está, mas escolhe aplicar suas energias em outra coisa qualquer, que o não carregue. 

O ingénuo míope, na sua ingenuidade e estupidez, abalroa os demais, negligenciando os seus ais e demais susceptibilidades iguais a ais que se proferem por dentro quando vem o ingénuo a abalroar. 

Temos medo do ingénuo que se descarta das responsabilidades de ceder a susceptibilidades. Que teríamos agora que andar em bicos de pés, nós, felizes ingénuos, que escolhemos não ver a realidade tal como ela é. Que escolhemos ignorá-la na esperança que assim desapareça, que talvez assim se transforme naquilo que não é.  Teríamos de andar em bicos de pés, dizem os susceptíveis.

Ingenuidade perigosa porque deixa livres os nossos verdadeiros intuitos, e não pensa nas consequências. Confia no Universo e na vida que lhe dizem que se agir bem e na melhor das intenções a cada momento, tudo se ajeitará no fim. Não se importa que se lhe vejam as entranhas, as verdadeiras intenções, porque as entende boas e positivas; acha que não tem de se importar com abalroar. Susceptibilidades, abalroar susceptibilidades. 

Superficialidade é não ceder a susceptibilidades. Ingenuidade é superficialidade. Acham os susceptíveis.

Coitados dos susceptíveis, que precisam de não ingénuos cuidando das suas susceptibilidades... coitados dos susceptíveis, que necessitam que os outros parem no seu percurso para lhes acudir nas feridas que o próprio ego, inchado de orgulhos e não-pecados afins, lhes infligiu, ao ver o ingénuo passar, ignorante intencional das susceptibilidades provocadas pela felicidade ingénua dos ingénuos e pelo ego inchado dos susceptíveis, que se deixou ferir porque quis ter um motivo para se sentir mal, porque se sente mais seguro se se sentir mal. É sempre mais seguro ser-se a vítima. 

Não-ingénuos são os que ouvem tudo e escutam tudo, mesmo os egos inchados; não-ingénuos crêem na desgraça e na maldade, e caem na armadilha quando as susceptibilidades alheias começam a manifestar-se. Resolvem dar-lhe crédito porque têm medo, porque também eles são susceptíveis e capazes de ferir para não sentir e não ouvir as suas próprias susceptibilidades, julgando o outro responsável pelo que eles próprios escolhem sentir. Sacudindo a água do capote do ego, culpando os outros porque o seu ego foi ferido, como se não tivesse o dever e a responsabilidade de controlar o seu próprio ego e de ficar feliz por ver os outros felizes ao invés de se sentir ofendido.

Quem serão, então, os verdadeiros ingénuos?

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