sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Carta a Tristina - Parte II



Vês inveja ao teu redor, mas és tu a invejosa. Vês más intenções ao teu redor, mas és tu a maldosa. És intolerante para com os demais, porque és intolerante para contigo mesma, porque te odeias a ti própria e depois pensas que são os outros que te odeiam porque são maus. Má és tu. Só tu. Parecem-te estranhos os demais que não actuam como tu achas que deveriam, que saem um pouco da norma, essa que te trás falsa segurança e te tentas em vão encaixar; por isso te odeias tanto. Só quem se odeia se dá a esses intentos. Estranhos os demais que saem um pouco da norma do teu mundinho pequenino, triste e limitado. Mas não é a eles que tu estranhas - é a ti. És tu quem tu não conheces, nunca te viste sem o veneno e sem o lixo.

Limpa-te e verás o quão estranha tu própria és, e perceberás que ainda bem, pois é isso que faz de ti única. 

Queres tão mais do que tens, mas não fazes nada para o conseguir. É preciso que te dêem um estalo na cara para te mexeres, e mesmo assim, rapidamente adormeces de novo. És preguiçosa e cobarde. Mas ao dizer-te isto sei que pouco te ofendes, pouco te picas, apenas sentes auto-comiseração por ser este o teu farto, aguentares contigo própria assim, preguiçosa e cobarde. Deixas-te arrastar pela vida como um peso morto, sem reagires ou tomares grande iniciativa. Provavelmente a pouca que tens já te parece muita. E quando tentas, quando surge a oportunidade e tu tentas, no fim amaldiçoas a experiência, és incapaz de ver a tua luta de forma positiva, de compreender que é com a luta e com as dificuldades que se cresce, e se não vês esse crescimento, então és tu, mais uma vez tu, e a tua míope visão. És uma falhada, uma infeliz falhada; tão jovem ainda e já tão falhada. Procuras amor quando só consegues dar ódio e veneno, mesmo quando julgas que estás a dar amor. Depois espantas-te, quando te dão veneno em retorno.

Queres que acreditem nas mentiras que vendes a teu respeito. Queres que acreditem numa mentira em que também tu gostarias de acreditar e, para que isso de acreditares seja mais fácil, tentas convencer os outros. E achas-te boazinha. E que isso de seres boazinha te dá o direito de ser má. Isso tem um nome; é comummente conhecido por "soncisse". Mas repara; és tão rápida a deixar cair a máscara, que não consegues nunca que ninguém chegue a acreditar na tua mentira por muito tempo. És uma pobre coitada - e pareces tirar algum tipo de prazer mórbido disso.

2 comentários:

Karine Tavares disse...

Eita! Além do comum... Parabéns!
Teu blog é ótimo!
Vem conhecer o meu:
leiakarine.blogspot.com

Nina Porcelain Lennitta disse...

Obrigada! Mas agora ando um pouco parada pela blogosfera... :)