quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sonhos derramados

Porque os sonhos às vezes derramam, vasam, entornam por fora, quando são demasiado grandes, tão grandes que não se os consegue suportar. Quando ao invés de nos obrigarem a andar para a frente, nos esborracham, paralisam, imobilizam. Quando são tão belos que preferimos mudar-nos para lá, de armas e bagagens, abrindo mão de uma vida que nos surge sem interesse, perto das possibilidades ilimitadas que um sonho oferece... esquecer que o mundo existe, com os seus reais limites... e passar para um mundo onde os limites somos nós quem os inventa... que possibilidade tentadora, a de se brincar de ser Deus!

Pois que se flutue nos sonhos derramados, que quando são assim tão grandes e derramam, acordam-nos no meio do seu jorro furioso, o dia em que, de voar tão alto, acabamos a cair desamparados no chão... acordamos, acorda-nos o chão, acorda-nos o frio da realidade... flutuemos então, que um sonho nunca é em vão, salvemo-nos, que só se afoga em sonhos quem quer... Flutuemos nos sonhos enquanto contemplamos o mundo real e auscultamos onde cabem os nossos sonhos... são os sonhos que nos salvam, não que nos afogam; a foice quem a carrega é a realidade e o mundo, são os sonhos que nos desenham a armadura com que dela nos havemos de defender...

Sem comentários: