sábado, 27 de outubro de 2012

I'm scared

The future is coming. And the future is not as I expected. 

Está a tomar feitios que não lhe conhecia. Não que eu conhecesse o futuro, mas tinha dele uma ideia. Às vezes, quando o futuro chegou, eu percebi que já o conhecia, foi bom, é mais fácil, já se espera, tudo flui melhor, adaptamo-nos melhor. Este agora, não lhe conheço o rosto... não é que não desconfiasse, mas não me apetecia que fosse assim... mas se calhar é melhor que seja assim. Normalmente, é sempre melhor que seja assim. Da maneira que é, acabamos a perceber que foi melhor. É verdade que nem sempre percebemos isso, mas acho que é muitas vezes assim, quase sempre. É melhor que seja assim. Tenho a certeza.

Mas dá medo. Mais que não seja, porque o corpo não gosta. O corpo não gosta do futuro, porque o futuro empurra as pessoas para a frente, e o corpo não gosta que o empurrem. Dói-lhe, agita-se, o coração bate muito depressa e o corpo enche-se de coisas que fluem pelo corpo fora, pela corrente sanguínea; os venenos segregados pelo coração a bater muito, contaminam cada músculo, deixando-o tenso e magoável. E eu também fico magoável, de equilíbrio intermo e homeostasia ameaçados.

O corpo e a mente não gostaram do futuro há uns tempos. Só a alma gostou, a alma regozija-se ainda agora, a alma cresceu, desenvolveu-se... porque será que o corpo não quer? O corpo que continua contraído de dor, batalhando para voltar a ser como era. Porque oferece ele tanta resistência? Porque se alvoroça a química interna? Se a alma cresce, o corpo podia tão bem colaborar... e não virar-se contra o guerreiro que luta todos os dias a dura batalha da adaptação às circunstâncias em permanente mutação, sobretudo quando o guerreiro não é assim lá muito de guerras dessas, dessas pelo menos, dessas que mais se parecem com furacões, arrancando do sítio o mais elementar dos objectos, a escova de dentes, o garrafão da água, e recolocando tudo noutro sítio qualquer, um sítio daqueles que a mente insiste em não se recordar.

Hajam desafios, que são eles que alimentam a alma, mas convença-se o corpo a acompanhar os desafios, faça-se o corpo perceber que a inércia é para ser vencida, caso contrário de nada servirá, de nada lhe servirá a tal da inércia, só para ajudar ao andamento em marcha à ré...

2 comentários:

Tétisq disse...

Que lindo!
Às vezes o corpo recusa cumprir a sua parte!

Nina Porcelain Lennitta disse...

O corpo é um "chato de galocha", como dizem os brasileiros! Insiste em limitar-nos... :/ Será que não existe um mundo, ou uma qualquer dimensão, em que se não necessite de algo tão limitado como o corpo, para por lá se poder circular? Os veículos que existem neste mundo são interessantes, mas tão limitados... :P