quinta-feira, 21 de junho de 2012

Diferentemente impressionada


Penso... se há meses atrás visse o mundo por estes olhos que agora vejo... qual seria a minha reacção? A mesma que tenho agora? Certamente que não, porque sou outra agora. Mudo de personalidade e de olhos a cada três meses, mas consigo perceber isso apenas muito tempo depois, quando olho para trás e me dou conta do caminho percorrido. Há tempos atrás ficaria impressionada, estupefacta, agora não. Passei anos nesse estado de estupefacção, mas a verdade é que, enquanto esse mesmo estado não passou e a minha alma não sossegou, a estupefacção nunca foi verdadeira, embora se fizesse sentir intensa.Nunca a realidade reflectiu o meu estado interior de estupefacção, que se manifestava a cada pequena coisa que se via, ou que eu via e mais ninguém. De tão minúsculas eram as mudanças, mas eu impressionava-me. Estupefactava-me. Mais ninguém via, só eu. E quando as palavras saíam da minha boca, ouvia-me louca. E os outros também. Que demónios estás tu a dizer, que demónios estou eu a dizer. Mas agora vê-se. E já ninguém duvida. Não se vê muito bem, mas há indícios. Suficientes para que já se vejam. Já vejam alguns. E duvidem já nenhuns.

Da minha loucura, não sei, talvez seja maior agora que alastrou ao resto do mundo. Mas tudo quer ser como eu sempre soube que seria e já não estou estupefacta. Permaneço em silêncio, procurando enxotar as expectativas em relação ao que está por vir. Quando elas se elevam, chuto-as para o fundo novamente. Que é quando elas andam lá por baixo que as coisas acontecem. E quero que aconteçam, mas que aconteçam como eu quero, como me disseram que seria. Como deve ser, com tudo no sítio, com tudo a encaixar e a bater certo no lugar. Acontecem agora tal como se me anunciaram um dia, e eu cuidei que estava louca. Mas se estava, era de uma loucura terrível, pois obtém correspondência visível, naquilo a que chamamos realidade. Na verdade, há muito quem vem sendo assim, mas só no momento em que chegamos ao topo da montanha conseguimos perceber a verdadeira fisionomia do terreno que antes deslizava por baixo dos nossos pés.

E vejo, que já há muito é assim, numa dimensão que eu própria desconhecia. Preciso que as coisas aconteçam para perceber, para me perceber, para perceber que sou e que voz é esta que fala dentro da minha mente... ou, pelo menos, perceber mais um pouco... só mais um pouco...

4 comentários:

Képia disse...

identifico-me com este post... sinto assim desde há varios anos a esta parte, e penso que é apenas porque parei para pensar isso... :)

Nina Porcelain Lennitta disse...

Isso parece-me positivo! ;)

H.M.Snow disse...

Como te percebo...sinto-me assim muitas vezes.

Nina Porcelain Lennitta disse...

Beijinhos, amiga Snow :)