domingo, 28 de agosto de 2011

E por estes dias, que me anda a impressionar?


Impressiono-me eu a mim mesma, que somos fonte de constante estupefacção, se repararmos bem. Encontro-me em estado de permanente estupefacção e impressionação - talvez seja filósofa - por isso este blog. Impressiono-me pela maneira como consigo perder-me de mim mesma, achando que estou no caminho certo. Um dia, chego a uma colina, olho ao redor e vejo que me perdi outra vez de mim. Questiono-me onde estou eu e volto para trás, a refazer o caminho já caminhado, para perceber onde fiquei, para me ir buscar a mim mesma e prosseguir completa a viagem. Questiono-me como pode ser, se segui o caminho certo, se fiz tudo aquilo que podia fazer - é pouco, deve ser. Prometo-me a mim mesma que não mais o farei - perder-me assim - muno-me de tudo a que consigo deitar mão para evitar futuro semelhante desvio de rota. Digo-me que não foi propriamente um desvio, que foi simplesmente um momento de recolhimento de mim mesma - e mesmo assim, acho injusto. Nasci agarrada a mim, nascemos todos agarrados a nós mesmos; nada há que possamos fazer em contrário e ainda bem. Tudo o que conseguirmos ser ou não ser, jamais será alheio a quem somos - ainda que seja esse um enorme enigma, isso do que somos. Nascemos com a percepção de quem somos, alguma pelo menos, ainda que seja a vida quem está encarregue de nos ir mostrando um reflexo de nós; tal como apenas temos a percepção do nosso corpo de o olharmos ao espelho, sem nunca termos a possibilidade de nos olharmos a nós mesmos. Questiono-me, então, porque motivo ficamos nós privados de nós mesmos em certos momentos da vida? Porque nos transformamos apenas naquilo que "temos" de ser e não naquilo que somos verdadeiramente? Ficamos reduzidos a parte de nós. A maioria das pessoas não se apercebe que isto lhe acontece; muitos vivem com uma parte muito limitada de si próprios, julgando que são apenas aquilo. E é curioso que, quanto mais nos limitamos a essa mediocridade, mais a vida nos acalca e obriga a ocupar cada vez menos espaço. Como se achasse que é isso que nós queremos, e muitas vezes é. Mas não é isso que eu quero. Irrita-me até ter de aprender a obrigar o meu volumoso ser a caber nos interstícios de seres que nada me dizem, de coisas que não me pertencem. De gente e de coisas que não são eu. E eu estou em tantos sítios, porque me obrigam a estar onde não estou? Gosto de mim como completa como sou! 

Seguir o caminho certo nem sempre é certo. É tantas e tantas vezes errado, limitado. Por isso me perdi de mim mesma; é que segui o caminho certo, esquecendo-me de que no mundo não existem caminhos certos, ou que todos são certos, ou talvez todos sejam errados. Tive de parar por um instante voltar atrás, resgatar-me, mas será que me resgatei? Será que conseguirei sentir-me completa ou foi apenas mais um pouco de mim que consegui trazer comigo? Qual a parte de mim que consegui resgatar, apenas o tempo mo irá dizer, apenas ele mo pode revelar. 

Continuarei a reunir tropas; defender-me-ei com todas as forças, para que a vida não me leve de mim outra vez... se mal me descuido e lá fiquei pelo caminho! Não acontece pela primeira vez... Que zanga e que raiva - mau sinal. Sinal de que se repetirá mais outra vez. Ou não, talvez... se conseguir diluir a frustração e a impotência num mar de bom senso e equilíbrio... se conseguir estar atenta, suficientemente atenta... só assim conseguirei não me voltar a perder de mim...

2 comentários:

Tétisq disse...

eu desconfio que não há um caminho certo... vamos caminhando e fazendo o caminho, metro a metro.

Nina Porcelain Lennitta disse...

Somos nós que fazemos o caminho certo... e do caminho certo faz parte aquele momento em que não percebemos nada, e o caminho parece errado... mas é pura ilusão; é certo na mesma... :)