segunda-feira, 2 de abril de 2012

Chegada

Trilhei caminhos de espinhos para agora aqui chegar... e do limite das forças observo... não fosse o calor da chegada sentir-se já, ou não teria mais ânimo em mim para prolongar a provação que a vida decidiu estar reservada à minha alma... guiada por vozes desconhecidas, porém minhas, apenas minhas, cega de obediência, deixei os espinhos do caminho fustigarem-me a alma, desafiando a sua confiança, nem eu mesma sei bem em quê... para trás fica apenas a memória da cegueira e da ignorância... é preciso chegar para se perceber onde nos dirigíamos... que estranha força é esta que me move, perante a qual me sinto tantas vezes impotente, uma escrava submissa da minha própria vontade... estou a chegar... repito-o de manso ainda... estou a chegar... estarei mesmo? Ou estarei, mais uma vez, aparentemente enganada? Mais um espinho, ainda talvez, só mais um? ... Os espinhos, de hora em diante parecem ser aqueles por que sempre esperei... mas tinha de chegar, precisava enfrentá-los... e parar de perder tempo com os espinhos dos que eram inesperados e dos que eram desconhecidos, que me desorientavam... estes agora já tenho as armas para lhes fazer frente... doem-me também, mas desafiam-me e engrandecem-me por outro lado... Tinha de chegar e não conseguia, mas finalmente, cheguei... sente-se... o calor da chegada, sente-se já... é ela, a chegada... carreguem agora as circunstâncias o peso do meu corpo e da minha alma exaustos da batalha... fiz a minha parte, é tempo de recompensa.(22/06/210)

Sem comentários: