Que saudades tinha eu de mim trivial... em termos de trivialidades; para onde foi a minha profundidade agora que só consigo escrever no registo da trivialidade? ... Sucede de tempos a tempos, é bom quando sucede, é bom de estar, de sentir, vive-se o presente. Sabe-se onde se está, não há grande perguntação no que a futuros acontecimentos diz respeito. Confia-se que vai correr tudo bem, pergunta-se menos, vive-se mais, pára-se menos, anda-se mais. Mas terei eu de escolher? Não conseguirei eu ter o bom destes dois mundos, destas duas partes de mim? Tem um alegre de ser necessariamente superficial? É a alegria necessariamente uma consequência da insconsciência? Diria que alegria é escolha dos privilegeados, mas, ainda assim, escolha. Não insensibilidade, mas resolução de estar bem apesar de tudo o que está mal, que quase parece ser mais do que o que está bem, mas não é, estou convicta (como quantificar?). Tem o aumento da seretonina o preço da assustadora superficialidade? Não pode, não seria justo, o mundo é terrível, mas não tanto assim. Virei-me para fora, ando assim virada agora, que é quando se conseguem fazer mais coisas ao mesmo tempo e eu agora faço muitas coisas ao mesmo tempo, que era coisa que eu sempre havia desejado fazer. Mas desejo agora, que esse e outros desejos se cumpriram, aliar estabilidade e profundidade; peço para ser capaz de olhar para mim e para o meu percurso com a mesma amplitude que quando estou desnorteada. Não é porque não estamos perdidos - ou porque de repente começámos a acreditar que não estamos - que não precisamos olhar a paisagem ao redor. É no momento de não estarmos perdidos que existem as melhores condições para que melhor se aproveite e desfrute das imagens que nos cruzam o caminho. Mas consegue um ser humano a habilidade de destrinçar nesse quadro tantas coisas como quando não está em pânico nem em perigo iminente? Que as situações limite têm o condão de nos trazer coisas que estavam guardadas há muito e que nem sabíamos possuir, coisas que voltamos a arrecadar mesmo sem querer quando abandonamos a fronteira que as despoletou. Queria conseguir. Queria ser capaz, queria, queria, queria... terei de abandonar ocasionalmente este meu momento de virar para fora com um momento de virar para dentro, ou conseguirei fazer ambos os momentos coexistir em harmonia? Simultaneamente, que agradável seria. Que equilibrado. Quem me dera aqueles momentos em que a adolescência mal resolvida volta a mim para ser revivida, não nos termos dos antigamentes, mas nos termos dos actualmentes, em que me sinto com vontades semelhantes às das adolescentes - passar-me-ão algum dia tais "vaipes"? Por vezes penso que vieram para ficar, o que não me aflige. Terei facilidade em conservar em mim a juventude, eis algo que sempre soube fazer, e isso passa também por saber aceitar e aproveitar "vaipes" de adolescência não tão adormecida quanto isso tudo...
Impressionantes Impressões
... Reflections of mine...
Domingo, 1 de Janeiro de 2012
Domingo, 28 de Agosto de 2011
Arco-Íris
Antigamente, quando à face da Terra se acreditava em contos de fadas e em sonhos, as pessoas todas sabiam que, no final do arco-íris, havia um grande tesouro, que haveria de trazer riqueza e prosperidade a quem conseguisse percorrer o misterioso, atribulado e sinuoso caminho até lá chegar... um caminho que ninguém sabia ao certo como percorrer, já que o arco-íris é daquelas coisas que quanto mais próximo se chega, menos bem se vê... torna-se difuso, confuso, disperso, mais transparente ainda e dispersa-se, sumindo-se como se nunca tivesse existido, fazendo-nos questionar se aquele arco de cores que tão bem havíamos distinguido ao longe não passaria e uma mera ilusão de óptica, uma partida da nossa mente, daquelas como ela tanto gosta de nos pregar...
O arco-íris... daquelas coisas que apenas ocorrem quando certas condições se conjugam e o permitem... que de tão raras e belas são desejadas... mas quando as nossas mãos tentam agarrá-las, se esvaem e desaparecem... revelam-se não se revelando, permanecendo no seu eterno mistério... assim são as coisas que são feitas de luz... de energia pura. As privilegiadas por Deus, únicas que conseguem viajar à velocidade máxima permitida neste mundo a tudo aquilo que existe... talvez por isso a velocidade me fascine, talvez eu queira tornar-me luz e iluminar tudo ao meu redor, talvez eu queira tornar-me luz para ser energia pura... será isso possível? Haverá de facto limites neste mundo? Ocorrerá nesta dimensão algo que seja realmente "puro", cuja pureza não possa ser destronada por pureza ainda superior?
Que misterioso confuso e complexo Universo este em que nos encontramos... ou talvez complexa, confusa e misteriosa mente esta que nos foi dada, rudimentar instrumento com que fomos apetrechados para descodificá-lo... ou ainda ínfima a capacidade que descobrimos até aqui, dentro das possibilidades de tal instrumento...
A luz e a cor... ou a ausência dela e a fusão de todas as cores... um dia o tesouro será encontrado... e que dor... e que alívio... às vezes penso se seria pelo tesouro em si... ou se pela simples vontade de poder mostrar ao mundo que se deve acreditar nos sonhos...(22/06/2010)
Mudança...

Começar de novo em outro lugar... tantos dariam tudo por isso... mudar, mudanças... não consigo perceber o que acho e o que sinto quanto às mudanças... sinto falta delas se não acontecem, mas quando acontecem, com frequência se tornam maiores e mais fortes que eu... não as consigo acompanhar! Deve ser por isso que, em tantos momentos, teimam em não suceder... Como eu queria ser maior, esticar, crescer... poder com o mundo inteiro às costas e que ainda sobrassem forças e tempo! Tanto que há para fazer e para viver! ... Mas eu não chego para tudo o que queria chegar... foi tempo que perdi? Talvez... ou talvez não. Um passado feliz é perigoso... agarra-nos a ele e dificulta a felicidade mais adiante, por permanente comparação... ou não... dá-nos suporte para enfrentarmos as tempestades a que a vida tanto gosta de gosta de nos submeter... torna-nos mais exigentes, mas isso também nos leva mais longe, talvez! Não, por mais que sinta necessidade de mudanças, não fui feita para mudar... mas mesmo assim, mudo... não fui feita para me adaptar ao mundo; fui feita para que o mundo se adapte a mim - insensatez... ou talvez não. Mudar; um dia aprendi a mudar. Mudo todos os dias e gosto dessa mudança que eu mesma preconizo; mas a par com essa mudança há coisas que mudam e não deveriam mudar... deveriam permanecer no mesmo lugar, fazem-me falta lá! Há coisas que queria que mudassem, há coisas que queria que permanecessem... Nenhum dia igual! Gosto de mudança! Mas daquela mudança que eu possa acompanhar...
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